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Papa na abertura do Mês Missionário: “omissão é o contrário da missão”

“O segredo para possuir a vida é doá-la. Viver de omissões é renegar a nossa vocação: a omissão é o contrário da missão”. A afirmação foi feita pelo Papa Francisco nesta terça-feira, 1º, durante a oração litúrgica das Vésperas por ocasião do início do Mês Missionário Extraordinário. Na homilia, o Santo Padre recordou a parábola em que o Senhor apresenta-Se como um homem que, antes de partir, chama os servos para lhes entregar os seus bens (cf. Mt 25, 14).

Em uma analogia, o Pontífice afirma que Deus confiou a cada um os seus bens maiores: a vida, a vida dos outros, e dons diferentes. Segundo Francisco, estes bens, estes talentos não representam algo que se deve guardar no cofre, mas uma chamada: “O Senhor chama-nos a fazer render os talentos com ousadia e criatividade. Deus não nos vai perguntar se guardamos zelosamente a vida e a fé, mas se entramos em jogo, arriscando e acabando talvez mal vistos”.

“Este Mês Missionário Extraordinário quer ser uma sacudidela que nos provoca a ser ativos no bem. Não notários da fé e guardiões da graça, mas missionários”, exortou o Papa, que questionou: “Mas como fazer para se tornar missionário?”. De acordo com o Santo Padre, para ser um missionário é preciso viver como testemunha, testemunhando com a vida que se conhece Jesus. “Testemunha é a palavra-chave; uma palavra que tem a mesma raiz e significado de mártir. E os mártires são as primeiras testemunhas da fé: não por palavras, mas com a vida”, destacou.

A fé não é propaganda nem proselitismo, mas um respeitoso dom de vida, sublinhou Francisco. Ser missionário é, segundo o Pontífice, viver espalhando paz e alegria, amando a todos, incluindo os inimigos, por amor de Jesus. “Deste modo nós, que descobrimos ser filhos do Pai celeste, como podemos ocultar a alegria de ser amados, a certeza de ser sempre preciosos aos olhos de Deus? É o anúncio que muitas pessoas aguardam. E é nossa responsabilidade levá-lo. Neste mês, perguntemo-nos: Como é o meu testemunho?”, indagou.

No final da parábola, o Senhor chama de “bom e fiel” quem foi empreendedor; e, ao contrário, “mau e preguiçoso” o servo que se colocou na defensiva (cf. 25, 21.23.26). Diante deste fato, o Papa perguntou: “Por que razão Deus é tão severo com este servo que teve medo? Que mal fez ele?”, e respondeu: “O seu mal foi não ter feito bem, pecou por omissão”. A omissão pode ser, segundo o Pontífice, o pecado de uma vida inteira. “Recebemos a vida, não para enterrá-la, mas para a colocar em jogo; não para retê-la, mas para a dar”, sublinhou Francisco que afirmou que quem está com Jesus sabe que tem aquilo que se dá, possui aquilo que se doa.

“Pecamos por omissão, isto é, contra a missão, quando, em vez de espalhar a alegria, nos fechamos numa triste vitimização, pensando que ninguém nos ama nem compreende. Pecamos contra a missão, quando cedemos à resignação: ‘Não consigo fazer isto, não sou capaz’. Mas como é possível? Deus deu-te talentos, e tu consideras-te assim tão pobre que não podes enriquecer ninguém? Pecamos contra a missão, quando, num lamento sem fim, continuamos a dizer que está tudo mal, no mundo e na Igreja”, alertou o Santo Padre.

O Papa prosseguiu: “Pecamos contra a missão, quando caímos escravos dos medos que imobilizam, e nos deixamos paralisar pelo ‘sempre se fez assim’. E pecamos contra a missão, quando vivemos a vida como um peso e não como um dom; quando, no centro, estamos nós com as nossas fadigas, não os irmãos e irmãs que esperam ser amados”.

Três servos e o mês do Rosário

Durante a homilia, o Papa citou três “servos” e missionários que produziram frutos durante a vida: Santa Teresa do Menino Jesus, São Francisco Xavier e a Venerável Paulina Jaricot. Sobre Santa Teresa, Francisco recordou que sua oração foi combustível da ação missionária no mundo. São Francisco Xavier foi lembrado pelo Pontífice como o maior missionário da história depois de São Paulo, enquanto a Venerável Paulina foi denotada como uma operária que apoiou as missões com o seu trabalho diário que deu início às Obras Missionárias Pontifícias.

Sobre o mês do Rosário, o Santo Padre questionou: “Quanto rezamos nós pela difusão do Evangelho, para nos convertermos da omissão à missão? Saímos da nossa concha, somos capazes de deixar as nossas comodidades pelo Evangelho? (…) Fazemos de cada dia um dom para superar a fratura entre Evangelho e vida?”. O Papa pediu então aos fiéis: “Por favor, não vivamos uma fé ‘de sacristia’”.

Os santos e a venerável representam, de acordo com Francisco, uma religiosa, um sacerdote e uma leiga, figuras que dizem aos fiéis que ninguém está excluído da missão da Igreja. Neste Mês Missionário Extraordinário, o Pontífice afirma que o Senhor chama a todos, e pede que façam “dom” no lugar onde estão, assim como estão, com quem estão, que não se limitem a sofrer a vida, mas que possam entregá-la; que não se limitem a chorar os infortúnios, mas deixem-se levar pelas lágrimas de quem sofre.

“Coragem! O Senhor espera muito de ti. Espera também que alguém tenha a coragem de partir, ir aonde há mais falta de esperança e dignidade, ad gentes, aonde tantas pessoas vivem ainda sem a alegria do Evangelho. Vai! O Senhor não te deixará sozinho; dando testemunho, descobrirás que o Espírito Santo chegou antes de ti para te preparar o caminho. Coragem, irmãos e irmãs! Coragem, Mãe Igreja: reencontra a tua fecundidade na alegria da missão!”, exortou.

Benção dos crucifixos

Ao final da oração litúrgica das Vésperas, Francisco abençoou os crucifixos que foram entregues a dez missionários, religiosos e leigos que serão enviados em missão para os seguintes países: Bangladesh, Brasil, Taiwan, Quirguistão, Cazaquistão, Sudão do Sul, Camboja e República Democrática do Congo.

Fonte: Site Canção Nova

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