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O sentido da teologia

Um critério da teologia católica é que ela tem a fé da Igreja como fonte, contexto e norma. Crer é um ato pessoal e ao mesmo tempo eclesial. A fé da Igreja precede, gera, suporta e nutre a fé do fiel católico.

Luís Eugênio Sanábio e Souza  –  Juiz de Fora  – MG

A fé transcende a razão, mas ela também tem uma dimensão racional.

A teologia oferece a sua contribuição para que a fé se torne comunicável. A teologia, que obedece ao impulso da verdade que tende a comunicar-se, nasce também do amor e do seu dinamismo: no ato de fé, o homem conhece a bondade de Deus e começa a amá-lo, mas o amor deseja conhecer sempre melhor aquele a quem ama. Portanto, a fé procura compreender. Neste sentido, Santo Agostinho pôde concluir: “eu creio para compreender e compreendo para melhor crer”.

A teologia católica reconhece a primazia da Palavra de Deus. Certa vez, o Papa emérito Bento XVI disse: “São Tomás de Aquino, com uma longa tradição, diz que na teologia Deus não é o objeto do qual falamos. Esta é a nossa concepção normal. Na realidade, Deus não é o objeto; Deus é o sujeito da teologia. Quem fala na teologia, o sujeito falante, deveria ser o próprio Deus. E o nosso falar e pensar deveria servir apenas para que possa ser ouvido, para que o falar de Deus, a Palavra de Deus possa encontrar espaço no mundo. Assim de novo, somos convidados para este caminho da renúncia a palavras nossas; a este caminho da purificação, para que as nossas palavras sejam só instrumento mediante o qual Deus possa falar, e assim Deus seja realmente não objeto, mas sujeito da teologia” (Papa Bento XVI: homilia na concelebração eucarística com os membros da Comissão Teológica Internacional em 06/10/2006) . Para explicar a cooperação humana com a graça divina, Santo Tomás de Aquino definiu assim :  “Credere est actus intellectus assentientis veritati divinae ex imperio voluntatis a Deo motae per gratiam” = “Crer é um ato da inteligência que assente à verdade divina a mando da vontade movida por Deus através da graça”. O Catecismo da Igreja Católica explica que “a fé é certa, mais certa que qualquer conhecimento humano, porque se funda na própria Palavra de Deus, que não pode mentir. Sem dúvida, as verdades reveladas podem parecer obscuras à razão e à experiência humanas, mas “a certeza dada pela luz divina é maior que a que é dada pela luz da razão natural” (Santo Tomás de Aquino) (Catecismo da Igreja Católica n° 157). 

Dado que o homem tende sempre a relacionar os seus conhecimentos uns com os outros, também o conhecimento de Deus se organiza de modo sistemático. A verdade revelada de Deus ao mesmo tempo exige e estimula a razão do crente. O diálogo entre fé e razão, entre teologia e filosofia, é necessário não só à fé, mas também à razão, como explicou  São João Paulo II . É necessário porque uma fé que rejeita ou despreza a razão arrisca cair na superstição ou no fanatismo, enquanto uma razão que deliberadamente se fecha para a fé, não alcançará a máxima possibilidade do que pode ser conhecido. A reta razão demonstra os fundamentos da fé, e, iluminada pela luz desta última, cultiva o entendimento das coisas divinas, enquanto a fé liberta e protege a razão de erros e lhe proporciona conhecimentos numerosos. Pode-se dizer, com toda certeza, que nenhuma filosofia de vida alcança a verdade plena sem a religião, pois “só Deus satisfaz” (São Tomás de Aquino). A razão precisa da fé. “A fé, dom de Deus, apesar de não se basear na razão, decerto não pode existir sem ela; ao mesmo tempo, surge a necessidade de que a razão se fortifique na fé, para descobrir os horizontes aos quais, sozinha, não poderia chegar” (Papa São João Paulo II: Encíclica Fides e ratio nº 67).

Um critério da teologia católica é que ela tem a fé da Igreja como fonte, contexto e norma. Crer é um ato pessoal e ao mesmo tempo eclesial. A fé da Igreja precede, gera, suporta e nutre a fé do fiel católico. A Igreja é a Mãe de todos os crentes. No longínquo século III, São Cipriano pôde dizer: “Ninguém pode ter a Deus por Pai, se não tiver a Igreja por Mãe”.

O teólogo é membro e filho da Igreja e portanto deve respeitar a função e as diretrizes próprias do seu Magistério, isto é, do Papa e dos Bispos em comunhão com ele. “O ofício de interpretar autenticamente a Palavra de Deus escrita ou transmitida foi confiado unicamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo, isto é, foi confiado aos bispos em comunhão com o sucessor de Pedro, o bispo de Roma” (Catecismo da Igreja Católica n° 85 citando o Concílio Vaticano II: DV 10).

O Magistério, por sua vez, conta com a colaboração dos teólogos.

Fonte: https://www.vaticannews.va/

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