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Formação sobre liturgia: incensação

Incenso, um pouco de história

Nas Escrituras Sagradas, a rainha de Sabá chegou a visitar Jerusalém e o rei Salomão, levando-lhe, entre outros presentes, uma quantidade extraordinária do mais precioso incenso. De fato, ao longo da história do incenso, prosperam povos e reinos míticos, como se lê na Bíblia, no Alcorão e no livro etíope dos Reis.

O incenso fazia parte da composição aromática sagrada destinada unicamente a Deus (Ex 30,34ss) e se transformou em gesto de adoração. Em linhas gerais, é símbolo de culto prestado a Deus e de adoração.

A oferta do incenso e a oração são intercambiáveis. Ambas são sacrifícios apresentados a Deus, como diz o Salmo 141, que proclama: “Suba até vós minha oração, como o perfume do incenso”. E é com estas palavras que, na Igreja Oriental, o celebrante ora, durante as laudes e as vésperas dos dias de festa, espalhando em torno de si o perfume do incenso. Com a oferta do incenso, os magos do Oriente adoraram o Menino Jesus como o recém-nascido Salvador do Mundo (Mt 2,11). No último livro do Antigo Testamento, o Apocalipse, João vê sete anjos que estavam diante de Deus, com trombetas e um turíbulo de ouro cheio de incenso: são as orações dos santos (Ap 8,3-4).

Os cristãos não utilizaram o incenso na liturgia desde o início, porque queriam se distinguir, o mais claramente possível, do paganismo. Extinto o paganismo, o rito do incenso encontrou logo seu lugar na liturgia cristã. A partir do século IV, a tradição cristã adotou o incenso em seus ritos de consagração e, ainda hoje, queima-o para honrar o altar, as relíquias, os objetos sagrados, os sacerdotes e os próprios fiéis, e, no momento das exéquias, para propiciar a subida dos falecidos ao céu. Graças à benção propiciada pelo incenso antes de seu uso, ele chega a ser um sacramental (sinal sagrado, que tem certa semelhança com os sacramentos e do qual se obtém efeitos espirituais).

No século IX, instaurou-se o uso do incenso no início da missa e, desde o século XI, o altar se transformou no centro da incensação. O turíbulo era também levado na procissão junto com o evangeliário. Em seguida, a incensação estendeu-se às oferendas do pão e do vinho, que são incensadas três vezes, da mesma maneira como se procede com o altar e a comunidade litúrgica. Dessa forma, nasceu a tríplice incensação durante a missa, praticada também hoje de maneira regular no Oriente e, entre nós, somente nas festas solenes.

O incenso deve envolver toda uma atmosfera sagrada de oração que, como uma nuvem perfumada, sobe até Deus. O agitar do turíbulo em forma de cruz recorda principalmente a morte de Cristo, e seu movimento em círculo revela a intenção de envolver os dons sagrados e de consagrá-los a Deus.

O incenso é muito utilizado na liturgia fúnebre. Os falecidos permanecem como membros da Igreja, já santificados pelos sacramentos. Portanto seu corpo morto é honrado com o incenso, como as santas mulheres queriam honrar o corpo de Jesus, ungindo-o com óleos preciosos na manhã de Páscoa.

Na consagração solene de um altar, depois da unção da “mesa”, queima-se incenso e outros aromas sobre os cinco pontos do altar. O bispo interpreta esse gesto com as palavras: “Suba até vós, Senhor, o incenso de nossa oração; e como o perfume se espalha por este templo, assim possa tua Igreja expandir para o mundo o suave perfume de Cristo”.

Seu uso na santa missa

a) durante a procissão de entrada, à frente da Cruz;

b) no princípio da missa, para incensar o altar;

c) na procissão e proclamação do Evangelho;

d) na apresentação das ofertas, para incensar as oferendas, o altar, a cruz, quem preside a celebração, os concelebrantes e o povo;

e) à elevação da hóstia e do cálice, depois da consagração.

Usa-se ainda o incenso, como vem descrito nos livros litúrgicos:

a) na dedicação da igreja e do altar;

b) na confecção do sagrado crisma, quando se transportam os santos óleos;

c) na exposição do Santíssimo Sacramento no ostensório;

d) nas exéquias dos defuntos.

Via de regra, deve-se usar também o incenso nas procissões da Apresentação do Senhor, do Domingo de Ramos, da Missa da Ceia do Senhor, da Vigília Pascal, da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, da solene transladação das relíquias, e, em geral, nas procissões que se fazem com solenidade.

Nas laudes e vésperas, quando celebradas com solenidade, sem a exposição do Santíssimo, pode-se fazer a incensação do altar, enquanto se canta o cântico evangélico.

Como usar

Na missa, o diácono recebe da mão do acólito a naveta meio aberta, com a colher que nela está, e apresenta a naveta ao presidente da celebração. Este benze o incenso com o sinal da cruz, sem dizer nada. Depois o diácono devolve a naveta ao acólito, recebe do acólito o turíbulo e entrega-o ao presidente da celebração, pondo-lhe na mão esquerda a parte superior das correntes e o turíbulo na direita. Aquele que incensa segura, com a mão esquerda, a parte superior das correntes que sustentam o turíbulo e, com a direita, segura as mesmas correntes todas juntas perto do turíbulo.

Tenha cuidado de o lançar com gravidade e decoro, sem mover o corpo ou a cabeça enquanto movimenta o turíbulo. Antes de depois da incensação, faz inclinação profunda à pessoa ou ao objeto que é incensado; não, porém, ao altar nem às oferendas recebidas para o sacrifício da missa.

São incensados com três ictus e três ductos do turíbulo:

a) o Santíssimo Sacramento, e também na elevação durante a missa, sendo de joelhos, e de pé durante a Oitava da Páscoa;

b) a relíquia da Santa Cruz;

c) as imagens do Senhor solenemente expostas;

d) as oferendas, antes da incensação do altar;

e) a cruz do altar;

f) o livro do Evangelho;

g) o círio pascal;

h) o presidente da celebração;

i) os presbíteros concelebrantes, todos ao mesmo tempo;

j) a autoridade civil oficialmente presente na sagrada celebração;

k) o coro e o povo;

l) o corpo do defunto.

Com dois ictus e dois ductos incensam-se as relíquias e as imagens dos santos expostas à veneração pública, pois a eles devotamos uma veneração chamada dulia.

A imagem da Bem-Aventurada Virgem Maria com três ictus e dois ductos, pois a ela veneramos com um culto especial chamado hiperdulia.

Referências

SANTA SÉ. CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO. Cerimonial dos bispos. 1. ed. 6. reimp. São Paulo: Paulus, 2017.

LOPES, Márcio. Apostila de liturgia. Belo Horizonte, mimeo.

Diácono Márcio Lopes

Arquidiocese de Belo Horizonte

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